sábado, 8 de agosto de 2009

Mundos Paralelos

A Luisa

No bar é sempre assim.
Amigos que chegam.
Outros que partem.
A cerveja acaba.
A gente pede outra.
Conversa vai.
Provolone vem.
Tem aqueles que gostam apenas da cachaça.
Outros adoçam com açucar.
E amargam com limão.
A noite vira dia.
E a gente nem percebe.
Até que uma vassoura varre nossos pés.
Uma porta, na frente, corre para baixo.
Passamos, agachados, pelo último vão.
A proposta da saideira é feita na rua mesmo.
Uns seguem em direção a ela.
Outros vão para casa.
Alguns dormem ali mesmo...
Já sinto falta desses mundos paralelos.

domingo, 28 de junho de 2009

O de sempre, por favor!

Reencontro.
Os amigos de sempre.
O bar de sempre.
O uísque de sempre.
As duas pedras de gelo de sempre.
As múltiplas doses de sempre.

Ressaca.
O enjôo de sempre.
O sono profundo de sempre.
O acordar demorado de sempre.
A tontura insistente de sempre.
As dores de sempre.

Memórias do corpo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Derramei toda a tristeza num copo

- de um gole só.

Um samba antigo que me diz

que a saudade passa

a ressaca

a casa vazia

e toda aquela louça suja:

sem memória.

No verso que a gente esquece

outra vez -

a memória do corpo -

domingo, 21 de junho de 2009

rascunhão do meu bar imaginário

Lembra do copo que viramos?
mundo girou e olhos deliraram
com a certeza da tristeza sublimada
......
por algumas horas
-
Lembra da ressaca que encaramos?
olhos viraram e o delírio dos copos
se perdeu em louças mal lavadas
--
------------
E a memória do copo, do corpo, do olho?
Para onde vai? Como trilha o seu caminho?
Tortuoso o pensamento; a penar.
Memória ratifica o que não se estendeu pelas
horas idas, todas elas, vadias.
-
-
-
-
Ai,
ressequei-me por cá.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

socorrei-me

quero 'deixar' a cabeça sobre essa mesa
cinco, dez, quinze minutos
apenas escutar os ruídos, as risadas,
brindes alheios a mim, alheios a minha cabeça cheia
de sentido -difuso-; confuso, esparso.
-
levanto e me lanço como vítima feroz de toda
essa loucura de botecos acesos
me derramo em líquidos
e peço socorro com a 'cabeça estirada'
--
o vira_mundos
é vira_copos.

segunda-feira, 23 de março de 2009

(IM)POSIÇÕES

No fundo do copo.
Olhar fixo há muito tempo.
Não importa o líquido que ali corre.
Mas importam as manchas afundadas.
Presas entre o vidro e o que sou.
Lembranças de um tempo preciso, fixo, marcado.
Manchas, tempo, sentimentos, ressentimentos.
Inatingíveis.
Permanentes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Folião.

Escolheu a fantasia da vez.
Já se preparou para as folias regadas a batucada.
Ilusões de novidades revividas.
Embriagado ele desfila em bloco.
Sexta, sábado, domingo, segunda.
Terça de Carnaval.
E ao fim, colore as lágrimas que hão de vir.
É quarta-feira de cinzas.